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A solidariedade dos portugueses permitiu a recolha de mais de 10 mil euros a favor da população do Nepal, no âmbito da acção nacional de angariação de fundos promovida pela Delegação Portuguesa da Médicos do Mundo (MdM). Obrigado a todos os que contribuíram para esta importante causa.

 

Imediatamente após a crise sísmica que atingiu o Nepal há uns meses, a MdM, através das Delegações de Espanha e de França, deslocaram para o terreno equipas médicas e várias toneladas de equipamento necessário ao apoio à população daquele país asiático.

 

Para ajudar nesta missão, e em solidariedade com o povo nepalês, a Delegação Portuguesa da MdM organizou logo nos primeiros dias uma acção de âmbito nacional para angariação de fundos que conseguiu, com a solidariedade de todos, atingir os 10.050,21 euros.

 

O valor arrecadado será agora aplicado na intervenção que a Delegação Espanhola da MdM está a realizar no Nepal, para onde deslocou várias equipas de profissionais.

 

 

A resposta à emergência

 

Três dias após o primeiro terramoto, uma equipa da Delegação Espanhola da MdM chegou ao Nepal para garantir as necessidades mais urgentes em termos de cuidados de saúde. Um cirurgião plástico e outro da área da traumatologia realizaram, em coordenação com os profissionais locais, 34 operações cirúrgicas complexas no Centro Nacional de Traumatologia do Hospital de Bir, uma das unidades de referência de Katmandu.

 

A outra parte da equipa, com funções mais logísticas, concentrou a sua actividade no distrito de Ramechhap, a 200 km da capital. Na região, para além do trabalho com o pessoal local, foram identificadas as principais necessidades: tendas e fornecimento de água, de electricidade e de material médico, já que 85% do hospital se encontrava destruído. Foram doados equipamentos básicos para garantir o fornecimento de energia, kits com medicamentos e material traumatológico, assim como tendas de campanha.

 

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Localização das equipas da Delegação Espanhola da MdM
Mapa: ©Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA)

 

Os terramotos de 7,8 graus na escala de Richter, a 25 de Abril, e de 7,2 graus, a 12 de Maio, causaram a morte de cerca de 9 mil pessoas e provocaram mais de 22 mil feridos. Foram afectados 5,6 milhões de pessoas e registaram-se avultados danos materiais, sobretudo nos distritos que rodeiam Katmandu.

 

 

As actuais prioridades

 

Actualmente as prioridades são a reconstrução e o reforço das capacidades da sociedade nepalesa. Assim, a intervenção da Delegação Espanhola da MdM centra-se agora em três âmbitos: reconstrução das infra-estruturas do Hospital de Ramechhap e melhoria do bem-estar psicossocial da população e da saúde materno-infantil.

 

No Hospital de Ramechhap, a máxima prioridade é a construção de estruturas semi-permanentes. A equipa de Espanha realizou já uma avaliação das infra-estruturas e propôs um projecto de reconstrução do hospital, que será iniciado dentro em breve.

 

Na melhoria do bem-estar psicossocial, está a ser disponibilizada ajuda psicológica ao pessoal dos centros de saúde sobre vulnerabilidade e stress após eventos traumáticos e formação aos profissionais de saúde e educação, assim como a elementos da comunidade. Já no campo da saúde materno-infantil, a intervenção tem como objectivo a melhoria da situação precária do acesso a serviços de qualidade.

 

Recorde-se que a Rede Internacional da Médicos do Mundo já se encontrava no Nepal antes da crise sísmica. A Delegação Francesa está no país há 8 anos a desenvolver projectos de defesa e protecção do direito à saúde no distrito de Sindhupalchok.

 

Após a fase de emergência, a equipa de França mantém clínicas móveis para assegurar cuidados primários à população deste distrito e projecta participar na reconstrução de 25 instalações de saúde, na reabertura do programa materno-infantil e na reactivação de cooperativas de mulheres com quem já trabalhava antes do terramoto.

 

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Crédito foto: ©Czuko Williams

 

 

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publicado às 15:10

Vem aí a V edição da “CorridaSolidária”, um projecto da Médicos do Mundo (MdM) que já contou com milhares de participantes em todo o país. Inscreva-se e participe na iniciativa! Este ano a “CorridaSolidária” terá como tema “Educação para uma Cidadania Global” e o seu lançamento oficial será a 7 de Abril de 2016, Dia Mundial da Saúde.

 

Despertar a consciência para as questões relacionadas com a Educação para o Desenvolvimento e angariar fundos para os projectos da MdM são os objectivos da “CorridaSolidária”, um projecto aberto à sociedade, em que todos podem participar: escolas, empresas, autarquias e associações, entre muitos outros.

 

No âmbito da “Corrida Solidária” podem ser organizadas corridas, marchas ou caminhadas, aliando a iniciativa à reflexão sobre o tema desta edição. Cada participante individual contribui com um donativo ou poderá procurar um “patrocinador” que também contribui com uma determinada quantia em dinheiro. O valor angariado é depois entregue à MdM para atribuição aos projectos seleccionados em cada edição.

 

Até agora, os fundos angariados pelo projecto “CorridaSolidária” já apoiaram as crianças de Moçambique (I “CorridaSolidária”, 2007); as crianças, jovens e adultos de Timor-Leste e Portugal (II “CorridaSolidária”, 2010); os jovens de S. Tomé e Príncipe e a população idosa de Portugal (III “CorridaSolidária”, 2011/2012); e as Equipas de Rua da MdM em Portugal e o projecto em Moçambique na área da prevenção do VIH e SIDA (IV “CorridaSolidária”, 2012/2013). Fique atento para conhecer onde serão aplicados os fundos recolhidos na V edição.

 

Saiba mais aqui sobre a V “CorridaSolidária”.

 

Vídeo teaser da V CorridaSolidária

 

 

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publicado às 14:40

A Médicos do Mundo (MdM) vai disponibilizar rastreios e material informativo durante a Semana da Prevenção e Literacia sobre Hepatites Virais, de 27 a 31 de Julho. As actividades realizam-se no âmbito da iniciativa nacional organizada pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), em parceria com diferentes projectos e organizações da área da saúde.

 

Aumentar o número de pessoas com conhecimento do estatuto serológico para a infecção pelas hepatites B e C e reduzir o número de diagnósticos tardios são os objectivos da Semana da Prevenção, Rastreio e Literacia sobre Hepatites Virais, durante a qual se assinala também o Dia Mundial das Hepatites Virais, a 28 de Julho.

 

As actividades decorrem em vários locais do país, através dos diferentes projectos e organizações participantes. No caso da MdM, os rastreios podem ser realizados junto das Equipas de Rua de Lisboa e do Porto.

 

Consulte aqui a lista completa dos projectos e organizações, assim como os respectivos contactos.

 

Aceda aqui a informação sobre o Hepatite C.

 

Para saber mais sobre a iniciativa aceda à página do GAT.

 

Img_SemanaHepatites_VWeb.png

 

 

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publicado às 14:17

Médicos do Mundo celebra 16 anos de lutas e conquistas

por Médicos do Mundo, em 20.07.15

Comemoramos hoje mais um ano e já são dezasseis, de lutas e conquistas. Um ano de trabalho e de dedicação de toda a equipa.

 

São dezasseis anos dedicados a garantir o acesso a cuidados de saúde gratuitos às populações mais vulneráveis, quer em situações de emergência, quer no combate à exclusão social, fora e dentro do país, independentemente da nacionalidade, da religião ou da ideologia. Dezasseis anos de acções de advocacy e de denúncia das desigualdades, tal como inscrito na missão da Médicos do Mundo (MdM): “lutar contra todas as doenças, até mesmo a injustiça”.

 

Um trabalho realizado em prol dos nossos beneficiários: jovens, pessoas idosas, pessoas sem-abrigo, imigrantes, pessoas sem ou com escassos recursos económicos, utilizadores de drogas, homens que fazem sexo com homens e trabalhadores sexuais, entre tantos outros.

 

Tal só é possível devido ao empenhamento de cada um que aqui trabalha, de profissionais e voluntários, que vestem a camisola da Médicos do Mundo e dedicam horas e horas das suas vidas, porque crêem nos objectivos e missão da MdM. Também aos donativos dos nossos sócios, de particulares e de empresas, às várias linhas de financiamento de diversos institutos públicos nacionais e outros, assim como aos fundos recolhidos em campanhas de mailing, IRS, etc.

 

Só assim, conseguimos prestar apoio medicamentoso, realizar actividades de convívio e saúde, e disponibilizar serviço de apoio domiciliário, de enfermagem, de fisioterapia e de serviço social, entre outros.

 

O cumprimento dos objectivos e a concretização dos projectos representam a competência de toda uma equipa e a unidade de esforços na superação de resultados, porque se acredita no futuro, que se deseja mais grandioso, para o qual o vosso apoio e profissionalismo são fundamentais.

 

Ao festejarmos mais um aniversário, é altura de expressar o nosso reconhecimento pelo vosso trabalho, sem o qual não teria sido possível ultrapassar todas as vicissitudes do ano findo. Que esse empenho manifestado continue, para que possamos minorar as dificuldades dos nossos beneficiários.

 

Obrigado pelo vosso contributo, fundamental para que a MdM cresça, a cada dia, um pouco mais.

 

Abílio Antunes,

 

(Direcção da Médicos do Mundo)

 

 

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Algumas imagens do trabalho realizado pela Médicos do Mundo
Crédito fotos: ©Fabrice Demoulin, ©Mykola Chaban e ©MdM

 

 

Depoimento de Sílvia Alberto, embaixadora da MdM

 

 

Depoimento de Fabrice Demoulin, fotógrafo voluntário

 

 

Depoimento de Sónia Nobre, médica voluntária

 

 

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publicado às 09:48

Feliz aniversário, Firas! Hoje completas um ano de vida. Tens os olhos grandes e escuros, as bochechas redondas, balbucias algumas poucas palavras e quando te apoias na mesa já consegues pôr-te de pé, o que te faz muito feliz.

 

Firas, és uma criança normal. Uma criança.

 

Porém, durante os teus primeiros 50 dias de vida, mais de duas mil pessoas da tua região foram mortas na guerra. Mais de 500 eram crianças. 12.400 casas foram destruídas, sendo que algumas delas pertenciam aos teus pais. Podemos pensar que és tão jovem que não sabias da angústia da tua mãe quando choviam bombas, dos pesadelos dos teus irmãos, do medo e da frustração dos teus pais, que não sabiam como proteger-vos. Podemos pensar que não terás quaisquer recordações disto no futuro. Mas, na realidade, ninguém tem a certeza.

 

Hoje cumpres um ano de vida e a tua casa ainda não foi reconstruída. Outras 17.600 famílias estão na mesma situação, esperando em casas provisórias de acolhimento, em caravanas ou em tendas. Um papel com o nome de família e uma fotografia do antigo edifício em que vivias foram colocados na vossa tenda, para que não se esqueça de onde vêm.

 

Provavelmente com a tua idade não te dás conta, mas as pessoas que fazem parte da Médicos do Mundo preocupam-se contigo. Vives num território submetido a um “bloqueio”. Vais escutar frequentemente esta palavra. É uma palavra que tem milhares de facetas. Por exemplo, significa que inclusive depois da guerra, é difícil conseguir materiais de construção. A tua creche será reconstruída a tempo do próximo curso? As clínicas serão reabilitadas para que possas ir quando estejas doente? O bloqueio significa também que a água que bebes no é de todo potável, que apenas tens acesso a electricidade durante oito horas por dia, e que ninguém sabe se irás receber os medicamentos de que necessitas. Provavelmente na tua idade não te dás conta, mas nós preocupamo-nos contigo.

 

E sobretudo, Firas, perguntamo-nos: como vamos explicar isto quando fores maior e nos questionares? Teremos de contar-te que ficaste sem casa porque havia tantas restrições à importação de cimento que foi dificílimo conseguir construir a tua primeira casa. Não terás direito a sair de Gaza; vais viver dentro de uma grande prisão. Não poderás ver a tua família, apesar desta viver apenas a 60 km, na Cisjordânia. Não poderás brincar perto da fronteira, para não ficares exposto aos disparos. Também não poderás brincar no meio dos escombros dos edifícios destruídos, para que não arrisques encontrar um artefacto explosivo da última guerra. O teu pai vai falar-te da sua empresa que faliu pouco depois do bloqueio porque não se podia exportar nada. Vai contar-te com grande tristeza e terás de entender o que o atormenta. Terás de entender o que significa para um homem não ter trabalho, o impacto sobre o seu orgulho e a sua moral. Em Gaza, 44% das pessoas estão em situação de desemprego, o que representa a taxa mais elevada do mundo. Vais descobri-lo muito depressa.

 

Este bloqueio perdura desde há oito anos e impede qualquer entrada e saída de bens desde e para Gaza. O Produto Interno Bruto (PIB) desceu mais de 50% e nos últimos seis anos já tiveram lugar três conflitos. 80% dos habitantes da Faixa de Gaza dependem da assistência humanitária internacional, 39% vivem abaixo do limiar da pobreza e 70% sofrem de problemas de insegurança alimentar. São demasiados números para uma criança como tu. Terás de te habituar: sempre se fala do bloqueio recorrendo a números. Vais viver com ele.

 

Firas, queremos desejar-te um feliz aniversário, mas já sabes, é complicado. Enquanto organização humanitária faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para continuar a apoiar-te. Como pessoas, ficaremos impressionados com a tua capacidade de superar as adversidades, de adaptar-te e continuar em frente apesar de tudo. Sabemos que serás tão forte e determinado como os teus pais, irmãos, irmãs e vizinhos.

 

O que nos exaspera, Firas, é que o que estás a sofrer não é uma fatalidade. Este bloqueio é imposto por Israel, um país que tem vínculos comerciais e políticos com a União Europeia e com os Estados Unidos. O bloqueio supõe um castigo colectivo porque afecta os civis sem distinções. Os nossos Estados assinaram tratados internacionais a reconhecer que esta situação é ilegal porque não se pode penalizar alguém por causa do lugar onde nasceu. Nenhum argumento relacionado com a segurança pode justificar fazer-te viver assim. Para além disso, a segurança não só não melhorou, como piorou nos últimos anos: as guerras multiplicaram-se, não parece existir qualquer relação entre a troca de disparos e a intensidade dos controlos, e a frustração que cresce de ambos os lados da vala não é, desde logo, uma garantia de tranquilidade no futuro.

 

Parece que a Europa deseja reactivar um processo de paz entre israelitas e palestinianos, mas Gaza é também Palestina. Há que exigir à União Europeia que seja coerente com os valores que proclama e que actue em conformidade, colocando os direitos humanos no centro de qualquer negociação. Porque, Firas, como se pode ter uma perspectiva para a paz sem respeitar os teus direitos mais básicos? Sem respeitar os direitos de um terço das mulheres e homens da Palestina, que se encontram rodeados pela presença militar e isolados neste pequeno território? As guerras não ignoram os direitos humanos? O ataque a Gaza, com toda a certeza, violou o Direito Humanitário Internacional.

 

Firas, há que reconhecê-lo, tu não és real. Não és uma criança que acaba de celebrar o seu primeiro aniversário em Gaza. És a representação de centenas de milhares de meninos e meninas que estão fechados actualmente na Faixa de Gaza, os quais queremos tornar visíveis. Perante os governos europeus, as instituições internacionais, perante qualquer um que tenha a intenção de negociar o teu futuro. Porque queremos que não só se recordem dos números, como também pensem em ti. Entretanto, exigimos uma vez mais o levantamento do bloqueio a Gaza. Para que, ainda sem casa ou liberdade de movimentos, a tua família e tu possam viver com um pouco mais de dignidade.

 

Médicos do Mundo

 

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Criança no Hospital de Gaza, em Julho de 2014
Crédito foto: ©Reuters

 

 

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publicado às 15:34

Cerca de 4 milhões de crianças morrem todos os anos em virtude de doenças que poderiam ser evitadas. Milhões de outras crianças são vítimas de violência, pobreza e não têm acesso a cuidados de saúde. É esta injustiça que a Médicos do Mundo pretende denunciar através da sua campanha internacional #MAKEACHILDCRY.

 

Há mais de 35 anos, a Médicos do Mundo luta para melhorar o acesso aos cuidados de saúde das populações mais vulneráveis, à frente das quais se encontram as crianças. Devido a guerras, catástrofes naturais e crises que atingem vários países, muitas crianças sofrem de malnutrição, adoecem por falta de vacinação e carecem de cuidados de saúde que poderiam salvá-las.

 

Concebida pela agência DDB Paris, a campanha #MAKEACHILDCRY visa sensibilizar o público para a questão do acesso das crianças aos cuidados de saúde. Com uma mensagem forte, baseada no medo infantil do médico, a campanha apela à acção de forma original. O medo que as crianças têm de injecções, instrumentos médicos e medicamentos é universal. Mas este mal necessário para a saúde e o bem-estar infantil é muitas vezes negligenciado. Apoiar aqueles que prestam cuidados por vezes desagradáveis mas necessários permite salvar vidas todos os dias e em toda a parte do mundo.

 

Um spot televisivo e 4 cartazes mostram crianças que foram consultadas e apelam à generosidade do público. O site makeachildcry.com/pt propõe-se informar o público acerca das crianças tratadas pela Médicos do Mundo. Michaela, de 5 anos, é vítima da cólera no Haiti, Sonia espera ser vacinada para matricular-se numa escola na Alemanha, e Moissa, de 4 anos, recusa alimentar-se após ter vivido o horror na Síria.

 

A Médicos do Mundo da Alemanha, Argentina, Canadá, Espanha, França, Grécia, Países Baixos, Portugal e Suíça divulgarão esta campanha a nível internacional.

 

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

 

Spot televisivo da campanha #MAKEACHILDCRY

 

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Cartaz

 

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 Cartaz

 

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 Cartaz

 

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Cartaz

 

 

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publicado às 13:31

Cerca de 3000 imigrantes estão a viver num terreno municipal em Calais, França, a aguardar oportunidade para entrar no Reino Unido. A situação no local tem vindo a degradar-se, o que levou a Médicos do Mundo, através da Delegação Francesa, juntamente com outras quatro organizações, a utilizar os seus meios logísticos normalmente reservados a situações de guerra ou de catástrofes. 

 

No final de Março, sob pressão das autoridades, os imigrantes concentrados em Calais, foram obrigados a instalar-se neste terreno sem quaisquer infra-estruturas, nas proximidades do centro Jules Ferry. Este local de acolhimento aberto em Março de 2015 para 1000 a 1500 pessoas, encontra-se já saturado.

 

As condições de vida nesta “selva autorizada” são absolutamente inéditas na Europa, não respeitando as normas das Nações Unidas - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e Organização Mundial de Saúde (OMS): insuficiente acesso a água potável (30 torneiras), reduzido número de casas de banho (20 para 3000 pessoas), alimentação escassa e acesso inadequado a cuidados de saúde. Neste bairro de lata concentram-se homens, mulheres e crianças com o número de pessoas a aumentar todos os dias.

 

O Ministro do Interior de França anunciou na semana passada a realização urgente de obras para organizar o terreno. No entanto, mesmo estes trabalhos parecem insuficientes.

 

A degradação da situação levou ao aumento das tensões e vulnerabilidade das pessoas. Face a esta situação excepcional, a Médicos do Mundo, através da Delegação Francesa, juntamente com outras quatro Organizações Não-Governamentais (ONG), coloca no terreno as suas competências e meios logísticos habitualmente reservados para situações de guerra ou de catástrofe, de forma a socorrer estas pessoas e chamar à responsabilidade os poderes públicos.

 

A Médicos do Mundo disponibiliza clínicas móveis com consultas de medicina geral e apoio psicológico; a Solidarités International distribui kits de higiene a todas as pessoas do campo, assim como recipientes para armazenar água potável, para além de construir blocos sanitários compostos por espaços de duche e de latrinas; a Secours Catholique Caritas France deslocou uma equipa de emergência, em ligação com voluntários locais, para fornecer recursos e construir, juntamente com os imigrantes, abrigos, cozinhas comunitárias e outras instalações; e a Secours Islamique de França distribui 3000 embalagens de alimentos.

 

As ONG presentes no local defendem um plano urgente por parte das autoridades locais e nacionais que contemple, entre outras situações, alojamento de acordo com as necessidades reais; desmantelamento do acampamento e criação de albergues em várias regiões do país; acções específicas para ajudar os imigrantes a solicitar asilo em França e diminuição da atribuição deste estatuto; para além da revisão da Convenção de Dublin que obriga as pessoas a apresentarem o pedido de asilo no Estado onde deram entrada na União Europeia (UE).

 

Veja aqui a reportagem da Euronews com declarações de Anne Kamel, médica da Delegação Francesa da Médicos do Mundo, que descreve os principais problemas vividos por estes imigrantes.

 

Também a cadeia de televisão norte-americana CNN esteve no local, considerando o acampamento uma “selva”. Assista aqui a esta reportagem com intervenção de Isabelle Bruand, Coordenadora Regional da Delegação Francesa da Médicos do Mundo.

 

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Apoio da Médicos do Mundo aos imigrantes no campo de Calais
Crédito foto: ©Olivier Papegnie

 

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Campo de acolhimento dos imigrantes em Calais
Crédito foto: ©Olivier Papegnie

 

 

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publicado às 11:06


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