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24 de Março - Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose

por Médicos do Mundo, em 24.03.12

Foto: http://exame.abril.com.br/

 

A intervenção de Médicos do Mundo na prevenção da doença


Médicos do Mundo intervém nesta área nos seguintes projectos:

 

No âmbito do Projecto “Comunidade Saudável”, em Timor-Leste, são realizadas pontualmente Sessões de Educação para a Saúde nas Comunidades onde actua, sobre Tuberculose Pulmonar, por ser um tema integrante do Programa de Promoção de Saúde do Ministério da Saúde;

 

Na Guiné Bissau, MdM é sub-recipiente do Fundo Global no “Projecto de Redução do Peso da Tuberculose na Guiné- Bissau”, um projecto que incide directamente sobre a prevenção da transmissão da doença no país.

Por outro lado, nos Projectos de Prevenção de VIH/SIDA, em Moçambique (na Província de Nampula), a temática da tuberculose é integrada na componente de formação a técnicos de saúde por Organizações de Base Comunitária, por ser uma doença oportunista e frequente em Pessoas que Vivem com VIH/SIDA.

 

Nos Projectos Nacionais, há a destacar os Projectos “Saúde Móvel”, o “SOS” (Lisboa/Loures e Seixal)” e o “Mensanus” (Porto), onde esta temática está directamente ligada a todas as acções desenvolvidas com os público-alvo, pois são por norma populações mais vulneráveis, logo, as mais expostas a este tipo de infecção.

 

Reflexão sobre a Tuberculose (por Dr. João Blasques de Oliveira, Director de Ajuda Humanitária de MdM)

Depois de milénios ainda é um GRANDE problema…

A aproximação do Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose (TB) dá-nos a oportunidade de reflectir um pouco sobre esta doença que acompanha a Humanidade há milénios, não tendo sido possível até hoje erradicá-la em nenhum país.

 

A Organização Mundial de Saúde e o Programa “Stop TB”, lançado em 2006, estimam que, em todo o Mundo, 8,8 milhões de pessoas adoeceram com TB e, destas, 1,4 milhões acabaram por falecer, o que equivale às vítimas de 15 desastres de avião, mas que acabam por ser invisíveis para o público e não chamam a atenção das agências de notícias, mesmo que isto signifique que a cada minuto morrem três pessoas com esta doença.

Para além do risco de transmissão que a tuberculose acarreta por si só, convém realçar que a TB é a principal causa de morte entre doentes infectados com o VIH que têm 37 vezes mais possibilidades de serem infectadas e de morrerem por TB do que outras pessoas.

A TB continua a ser uma das doenças da pobreza e, por isso, deve ser dada particular atenção às populações em situação de vulnerabilidade e pobreza. Portugal tem ainda uma das maiores prevalências na Europa e não se deve excluir a hipótese de que, com o pioramento das condições de vida, devido à crise económica e ao desemprego, associados ao agravamento do acesso aos cuidados de saúde primários, se venha a verificar uma aumento do número de casos de TB.

 

O Risco da TB Multirresistente


Não tendo havido nos últimos 50 anos avanços significativos na descoberta de novas drogas (Tuberculostáticos) eficazes, baratas e de fácil utilização para o tratamento da TB, esta tem sido tratada com os mesmos fármacos, o que ao longo dos anos, levou ao aparecimento de resistências aos medicamentos ditos de primeira linha e mesmo a alguns de segunda linha, tornado o tratamento mais caro e difícil.

Esta epidemia de Tuberculose Multirresistente, que está a estender-se por todo o Mundo, e que é canalizada principalmente pela co-infecção com o VIH, é um problema acrescido aos esforços de controlo da TB e ao objectivo de ter um mundo livre da Tuberculose.

A Europa suporta 20% do peso total de TB Multirresistente. Conta com 15 dos 27 países de alto peso da doença, mas, em termos gerais, só tem 4,5% de novos casos (WHO 2009). Apesar disso, é na África subsaariana que se detectam a maioria dos novos caso de tuberculose, o que está de acordo com os níveis de pobreza e as altas taxas de prevalência do VIH neste continente, onde cerca de 1/3 dos infectados irão sofrer de tuberculose.

 

As soluções e os desafios


A estratégia de combate à TB inclui vários componentes que se pretende que sejam utilizados de forma conjunta, assegurando-se, assim, a eficácia das intervenções sendo elas as seguintes:

  1. Assegurar a expansão e melhoria de um serviço de DOTS (Toma Directamente Observada do Tratamento Curto) de elevada qualidade;
  1. Responder às necessidades das pessoas mais pobres e vulneráveis;
  1. Contribuir para o reforço dos sistemas de Saúde;
  1. Mobilizar a participação dos doentes e dos provedores de serviços;
  1. Implicar os decisores de politica ao mais alto nível;
  1. Desenvolver e suportar a investigação de novos meios de diagnostico e novos tratamentos. 

Um dos grandes desafios no controlo precoce da TB foca-se, neste momento, na microscopia do escarro, que tem a fragilidade de necessitar pelo menos de 24 h para ter um resultado e de haver técnicos treinados e proficientes no uso do método. Torna-se necessário ter o mais rapidamente possível métodos de diagnóstico rápido que se usem junto do doente e que tenham elevada sensibilidade. Quanto mais cedo identificar-se um doente com TB activa, mais cedo pode iniciar-se o tratamento e obtém-se a cura em mais de 95% dos casos e reduz-se o risco de transmissão da TB na comunidade.

Por outro lado, a adesão ao tratamento – pela estratégia DOTS – é fundamental e a sua implementação em todo o Mundo tem permitido sucessos, que demos ressaltar para que se saiba que é possível vencer esta missão: desde 1995, mais de 46 milhões de doentes com TB foram tratados, resultando daqui terem-se salvo cerca de 7 milhões de pessoas de uma morte prematura, facultando-se, assim, uma melhoria de vida a estes indivíduos, às suas famílias e às comunidades onde se inserem.

É possível conseguir, em menos de uma geração, reduzir a zero a incidência de TB, assim como o número de mortes que provoca, num quadro de intervenção contínua e concertada dos governos e dos serviços de saúde, financiadores, instituições de investigação, Agências das Nações Unidas, ONG, organizações comunitárias e também dos indivíduos, doentes ou não. Como testemunho dessa possibilidade real, nos últimos 20 anos, o número de mortes por TB reduziu em 40% em todo o Mundo.

 

Enquadramento Histórico

O dia 24 de Março ficou marcado na História pela descoberta  do microrganismo responsável pela Tuberculose, em 1882 por Robert Koch..

 

Por ocasião dos 100 anos do anúncio da descoberta da doença, em 1982, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a União Internacional Contra TB e Doenças Pulmonares (International Union Agaist TB and Lung Disease - IUATLD), decidiram assinalar este dia, não como comemoração, mas sim como um dia para marcar e sensibilizar a população mundial a esta doença que continua a ser um enorme flagelo.

 

Links de interesse:

http://www.stoptb.org/events/world_tb_day/2012/resources.html

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/70-mil-criancas-morrem-de-tuberculose-ao-ano-diz-oms

http://portal.saude.gov.br/portal/svs/visualizar_texto.cfm?idtxt=21478

 

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