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A Médicos do Mundo no combate ao Ébola

por Médicos do Mundo, em 03.11.14

Cuidar e tratar dos doentes infectados com o ébola e, simultaneamente, controlar e prevenir a propagação da epidemia é o principal desafio que se coloca actualmente às organizações de saúde e humanitárias presentes na região afectada. Apesar de continuar a intervir na resposta de emergência, a Médicos do Mundo (MdM) está a concentrar os seus esforços na área da prevenção para travar a transmissão do vírus.

 

De acordo com o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS) registaram-se até à data mais de 10 mil casos de infecção e cerca de cinco mil mortes. Para além dos países com o maior foco da epidemia, Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria, foram já registados casos no Mali, Nigéria, Senegal, Espanha e EUA.

 

Segundo um artigo escrito por Thierry Brigaud, Presidente da MdM, e Pierre Sallah, Coordenador-Geral na Libéria, “o actual surto de ébola atingiu as áreas mais populosas onde os centros de isolamento são poucos e possuem uma capacidade operacional limitada, não permitindo cuidar de todos os que estão doentes. Além disso, outras infra-estruturas de saúde ficam paralisadas, conduzindo a uma taxa de mortalidade anormal por outras doenças”.

 

Nos países mais afectados a MdM, através das delegações de Espanha e França, actua na resposta de emergência à epidemia. A Delegação de França apoia cinco centros de saúde em Monróvia, capital da Libéria, e 125 na Costa do Marfim (regiões de San Pedro, Sassandra, Guéyo e Soubré), abrangendo 600 mil e dois milhões de pessoas, respectivamente. Por seu lado, a Delegação de Espanha concentra os esforços na Serra Leoa, numa colaboração com as autoridades locais para melhorar a capacidade de e promover a sensibilização das populações quanto às medidas de prevenção.

 

Carte régionale MDM vs Ebola.jpg

 Programas da MdM na África Ocidental.

 

Também através da Rede Internacional a MdM desenvolve um programa de prevenção do ébola nos países limítrofes, nomeadamente no Senegal, Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim e Benim. De forma a travar a epidemia, segundo Pierre Sallah, “é necessário desenvolver ferramentas e mensagens adaptadas para explicar os meios de transmissão, sintomas, protocolos de saúde a seguir e como responder aos rumores que vão surgindo. Caso não o façamos corremos o risco da situação piorar”.

 

Apelo a políticas de prevenção

 

Apesar da importância da resposta de emergência, para a Médicos do Mundo é essencial apostar na prevenção. Assim, após a confirmação do primeiro caso de contágio no Mali, a MdM, através da Delegação de Espanha, lançou o apelo a um novo compromisso em termos de políticas de prevenção nos países que fazem fronteira com os Estados mais afectados pela epidemia. Há alguns meses que a organização concebeu um plano de prevenção e preparação para toda a região.

 

De acordo com José Félix, Coordenador da Médicos do Mundo no Mali, “não só temos de financiar centros de tratamento, como também dar resposta integrada à epidemia que não pode descurar a importância da prevenção, sobretudo perante uma doença que actualmente não tem cura”. Nos contactos que mantém com os representantes da OMS e do grupo de crise do ébola uma das prioridades é a rápida formação do pessoal médico regional em colaboração com outras delegações da MdM.

 

Sensibilisation des communautés sur Ebola,Soubré

 Acção de sensibilização sobre o ébola em Soubré, Costa do Marfim.
Crédito foto: ©MdM

 

No início de Agosto representantes da MdM defenderam junto de várias instituições a necessidade urgente de uma intervenção preventiva na Serra Leoa, Senegal e Mali. Na ocasião era já evidente que estes dois últimos países apresentavam grandes probabilidades de contágio devido à extensa área de fronteira comum com os países afectados, onde existe um enorme fluxo de pessoas. No caso do Mali, a vulnerabilidade da população, juntamente com determinadas circunstâncias políticas e a debilidade das instituições, recomendava uma estratégia preventiva imediata que incluísse trabalho comunitário e educação para a saúde.

 

“Apesar da intensa investigação para desenvolvimento de uma vacina e/ou tratamento antiviral, os avanços tardam a surgir. De momento apenas o tratamento de sintomas e a qualidade do mesmo têm um efeito na taxa de mortalidade”, segundo refere o artigo de Thierry Brigaud e Pierre Sallah.

 

Planos de contingência

 

Reforçar a capacidade dos sistemas sanitários da Serra Leoa, Senegal e Mali é objectivo global da proposta apresentada pela Médicos do Mundo para colocar em prática planos de contingência aos níveis local, regional e nacional.

 

Entre as actividades inclui-se a formação dos funcionários responsáveis pelo controlo fronteiriço nos três países, em especial nos distritos de Sédhiou (Senegal), Kenieba (na região de Kayes, no oeste do Mali) e Koinadugu (no norte da Serra Leoa), onde a MdM se encontra actualmente. A intervenção abrange ainda a formação de trabalhadores de saúde locais, a sensibilização dos líderes comunitários e o apoio técnico e de identificação de casos de maior risco.

 

2014 sept-MdM training session in Kabala-by Carlos

 Sessão de formação em Kabala, na Serra Leoa.
Crédito foto: ©Carlos Tofiño para Medicos del Mundo

 

Pretende-se assim alcançar uma ampla cobertura geográfica das actividades de resposta à epidemia em complemento ao tratamento nos países já afectados, assegurar uma resposta imediata e global à emergência nos Estados com os primeiros casos e fortalecer a capacidade daqueles que ainda não registaram infecções, especialmente os que partilham fronteiras com as regiões atingidas e com terminais internacionais de transporte.

 

A MdM espera agora poder implementar a sua estratégia de prevenção e preparação da resposta ao ébola no Burkina Faso com o apoio da União Europeia.

 

A experiência da MdM na região

 

A Médicos do Mundo encontra-se na região há mais de uma década (desde 2001 na Serra Leoa; desde 1998 no Mali; e desde 2002 no Senegal), sendo actualmente a região de Sahel uma zona prioritária de actuação para a organização.

 

Nestes países já realizou actividades ligadas a cuidados primários de saúde, saúde pública, sexual e reprodutiva. Foram igualmente levadas a cabo operações de emergência na região, como foi o caso da epidemia de cólera na Serra Leoa em 2012.

 

O que deve saber sobre o ébola

 

Detectada pela primeira vez em 1976 na região junto do rio ébola, na República Democrática do Congo, e numa área remota do Sudão, a doença do vírus ébola é uma doença grave, de origem ainda desconhecida, com uma taxa de mortalidade de até 90%.

 

A transmissão do vírus ocorre por contacto directo com o sangue, fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sémen) de pessoas infectadas. Pode ainda ocorrer se existir contacto com ambientes ou objectos contaminados com fluidos de doentes, tais como vestuário, roupa de cama e agulhas usadas.

 

Os sinais e sintomas típicos desta infecção incluem febre súbita, fraqueza e dores musculares, de cabeça e de garganta. A estes seguem-se outros sintomas como vómitos, diarreia, erupções cutâneas, falência renal e hepática e, em determinados casos, hemorragias internas e externas.

 

O intervalo de tempo entre a infecção e o surgimento de sintomas é de 2 a 21 dias. O doente torna-se contagioso assim que começa a apresentar sintomas.

 

Saiba as respostas às questões frequentes sobre o ébola, consultando aqui o documento da OMS, traduzido pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

 

Também poderá consultar aqui as informações disponibilizadas pela Direcção-Geral de Saúde (DGS).

 

cartazDGS.JPG

 

Aceda à galería de fotos sobre a intervenção da Médicos do Mundo na região afectada pelo ébola.


Saiba mais sobre o trabalho e como ajudar a MdM no combate à epidemia:

Delegação de França: www.medecinsdumonde.org

Delegação de Espanha: www.medicosdelmundo.org

 

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publicado às 17:47



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