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Com o aumento das operações militares israelitas, a ajuda humanitária urgente não consegue chegar a Gaza. A entrega de vários carregamentos de produtos médicos por parte da Médicos do Mundo (MdM), destinados aos centros de saúde com ruptura de stock, encontra-se bloqueada.

 

Recorde-se que a MdM encontra-se no terreno, através das suas delegações de França, Espanha e Suíça.

 

Domingo, 20 de Julho, foi um dos dias mais mortíferos desde o lançamento da Operação “Barreira de Protecção”, com a morte de 60 palestinianos, incluindo 14 mulheres e 17 crianças. Os civis constituem a maioria das baixas até ao momento. O número de feridos tem vindo a aumentar rapidamente com a ofensiva terrestre de Israel, resultando numa crescente necessidade de medicamentos e de produtos médicos de emergência.

 

As equipas médicas e humanitárias não conseguem deslocar-se e a entrega de produtos de primeira necessidade encontra-se interrompida. Com o bloqueio da passagem de mercadorias no posto fronteiriço de Kerem Shalom durante todo o Domingo, as equipas da MdM não conseguiram fornecer vários centros de saúde com produtos médicos. A Médicos do Mundo apela à abertura imediata e incondicional dos postos fronteiriços para a passagem de ajuda humanitária a Gaza.

 

Além disso, o Hospital Al Aqsa Der el Balah, apoiado pela Médicos do Mundo, foi seriamente danificado pelos bombardeamentos na Segunda-feira, destruindo completamente o bloco operatório. Quatro pessoas perderam a vida e muitos mais ficaram feridos.

 

A Médicos do Mundo pede um cessar-fogo imediato e lembra que todas as partes envolvidas no conflito devem respeitar as regras do direito internacional humanitário com vista à protecção das populações civis. Condenamos também o facto de os hospitais serem alvo neste conflito, o que dificulta ainda mais o acesso dos feridos aos cuidados de saúde.

 

“Faltam medicamentos de base necessários às urgências”
Testemunho do Dr. Hasam, médico de urgência em Gaza

 

Sou médico de urgência e trabalho com a Médicos do Mundo em Gaza no contexto do conflito actualmente em curso. Trabalho no serviço de urgência do Hospital Nasser, situado no Sul de Gaza.


Hoje quero falar-vos da situação desastrosa causada pela guerra que dura há duas semanas.


No Hospital Nasser, principalmente no serviço de urgência, recebemos cerca de 75 pessoas todos os dias. Entre estes, 20 a 30 mortos da mesma família, sendo que, infelizmente, a maioria são crianças atingidas pelos disparos de rockets ou pelos bombardeamentos. Entre 10 a 20 feridos graves e 20 a 40 ligeiros.


A maioria dos casos apresenta complicações devido aos disparos de rockets que resultam em traumatismos cranianos, torácicos e abdominais. O segundo tipo de ferimentos mais comuns são os traumatismos dos membros e lesões vasculares que requerem a presença de cirurgiões plásticos e vasculares. Um apoio médico que é escasso em Gaza e que nos faz muita falta.


Metade dos feridos tem necessidade de ser admitido no bloco operatório ou nos serviços especializados do hospital, os quais que já se encontram repletos de doentes e de vítimas.


Como sabem, o prolongado cerco a Gaza tem consequências no acesso a cuidados de saúde no território. Faltam consumíveis e medicamentos de base necessários às urgências devido ao cerco.


Temos realmente, realmente, necessidade de uma reacção ou de uma intervenção por parte da comunidade internacional para ajudar as pessoas que vivem em Gaza.

 

Crédito foto: ©AFP

 

 

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publicado às 16:22



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