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Continua a subir o número de pessoas que necessita de ajuda urgente no acampamento de refugiados em Calais, França, onde a Médicos do Mundo (MdM), através da Delegação Francesa, montou uma operação de emergência no início de Junho. Para além do aumento do número de migrantes no local, registam-se graves problemas de saúde e casos de morte que poderiam ser evitados.

 

Apesar dos dados mais recentes apontarem para 3000 migrantes concentrados em Calais, com o objectivo de tentarem a travessia do Canal da Mancha, rumo ao Reino Unido, este número já poderá ser superior a 5000. Vêm sobretudo da Etiópia, Eritreia, Sudão, Somália, Afeganistão e da Síria, fogem das guerras, da violência e da fome, e partem à procura de melhores condições de vida.

 

Para fazer face a esta situação, a operação de emergência, montada pela MdM no acampamento improvisado, integra um posto de saúde, com médicos, enfermeiros, psicólogos, tradutores e mediadores, entre outros, num total de 25 profissionais. Foi ainda realizada uma intervenção ao nível da distribuição de água e de instalações sanitárias.

 

Actualmente existem apenas 30 casas de banho para 3000 migrantes (número oficial) – segundo as normas humanitárias internacionais deveriam ser 1 para cada 20 pessoas – e, durante muito tempo, não houve água no local. Esta situação foi entretanto corrigida com a colocação de torneiras em diferentes áreas do acampamento.

 

Por não ser um campo oficial, não existem tendas, utensílios de cozinha ou cobertores provenientes da ajuda aos refugiados das Nações Unidas ou de outras organizações humanitárias. Os abrigos são construídos a partir de madeiras, lonas e sacos plásticos doados por voluntários de Calais.

 

A agravar a situação, são cada vez mais os detritos por todo o acampamento que provocam um cheiro desagradável. Em declarações à Imprensa Internacional, Jean-François Corty, Director de Operações da Delegação Francesa da MdM, descreveu o campo como sendo uma “favela tolerada”.

 

 

Graves problemas de saúde

 

Para além dos múltiplos ferimentos causados pelas tentativas, quase diárias, de travessia do Canal da Mancha, os migrantes enfrentam ainda doenças relacionadas com a pobreza e as condições precárias. Nas últimas 10 semanas já morreram 10 migrantes e, segundo descreveu à Imprensa Chloé Lorieux, voluntária da MdM, uma grávida perdeu o bebé quando tentava subir para um comboio.

 

Muitos dos que tentam efectuar a travessia acabam por voltar ao campo com ferimentos provocados pelo arame farpado das vedações de segurança ou pelos bastões dos agentes policiais, os quais ainda utilizam cães e gás lacrimogéneo para dispersar os migrantes. Outros chegam com fracturas ósseas, em consequência da tentativa de subida para os comboios e camiões que atravessam o Eurotúnel.

 

Em termos de doenças, a maioria dos casos está relacionada com a precariedade das condições no local. De acordo com Jean-François Corty, registam-se casos frequentes de sarna, infecções respiratórias e da pele, e situações graves de diarreia.

 

A situação é ainda mais chocante porque muitas das mortes poderiam ser evitadas. A maioria são jovens e, cada vez mais, mulheres. Ainda segundo o Director de Operações da Delegação Francesa da MdM, estima-se existir mais de uma centena de mulheres e crianças a viver fora da área de segurança que precisam de maior protecção. Para o responsável da MdM, é urgente discutir, na Europa, a forma como lidar com este crescente desespero dos migrantes.

 

 

Acompanhe aqui toda a intervenção da Delegação Francesa da MdM na região de Calais, através de um site dedicado exclusivamente ao assunto.

 

Também pode aceder aqui à notícia publicada anteriormente.

 

 

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Acampamento de migrantes em Calais
Crédito foto: ©MdM

 

 

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publicado às 10:42

Cerca de 3000 imigrantes estão a viver num terreno municipal em Calais, França, a aguardar oportunidade para entrar no Reino Unido. A situação no local tem vindo a degradar-se, o que levou a Médicos do Mundo, através da Delegação Francesa, juntamente com outras quatro organizações, a utilizar os seus meios logísticos normalmente reservados a situações de guerra ou de catástrofes. 

 

No final de Março, sob pressão das autoridades, os imigrantes concentrados em Calais, foram obrigados a instalar-se neste terreno sem quaisquer infra-estruturas, nas proximidades do centro Jules Ferry. Este local de acolhimento aberto em Março de 2015 para 1000 a 1500 pessoas, encontra-se já saturado.

 

As condições de vida nesta “selva autorizada” são absolutamente inéditas na Europa, não respeitando as normas das Nações Unidas - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e Organização Mundial de Saúde (OMS): insuficiente acesso a água potável (30 torneiras), reduzido número de casas de banho (20 para 3000 pessoas), alimentação escassa e acesso inadequado a cuidados de saúde. Neste bairro de lata concentram-se homens, mulheres e crianças com o número de pessoas a aumentar todos os dias.

 

O Ministro do Interior de França anunciou na semana passada a realização urgente de obras para organizar o terreno. No entanto, mesmo estes trabalhos parecem insuficientes.

 

A degradação da situação levou ao aumento das tensões e vulnerabilidade das pessoas. Face a esta situação excepcional, a Médicos do Mundo, através da Delegação Francesa, juntamente com outras quatro Organizações Não-Governamentais (ONG), coloca no terreno as suas competências e meios logísticos habitualmente reservados para situações de guerra ou de catástrofe, de forma a socorrer estas pessoas e chamar à responsabilidade os poderes públicos.

 

A Médicos do Mundo disponibiliza clínicas móveis com consultas de medicina geral e apoio psicológico; a Solidarités International distribui kits de higiene a todas as pessoas do campo, assim como recipientes para armazenar água potável, para além de construir blocos sanitários compostos por espaços de duche e de latrinas; a Secours Catholique Caritas France deslocou uma equipa de emergência, em ligação com voluntários locais, para fornecer recursos e construir, juntamente com os imigrantes, abrigos, cozinhas comunitárias e outras instalações; e a Secours Islamique de França distribui 3000 embalagens de alimentos.

 

As ONG presentes no local defendem um plano urgente por parte das autoridades locais e nacionais que contemple, entre outras situações, alojamento de acordo com as necessidades reais; desmantelamento do acampamento e criação de albergues em várias regiões do país; acções específicas para ajudar os imigrantes a solicitar asilo em França e diminuição da atribuição deste estatuto; para além da revisão da Convenção de Dublin que obriga as pessoas a apresentarem o pedido de asilo no Estado onde deram entrada na União Europeia (UE).

 

Veja aqui a reportagem da Euronews com declarações de Anne Kamel, médica da Delegação Francesa da Médicos do Mundo, que descreve os principais problemas vividos por estes imigrantes.

 

Também a cadeia de televisão norte-americana CNN esteve no local, considerando o acampamento uma “selva”. Assista aqui a esta reportagem com intervenção de Isabelle Bruand, Coordenadora Regional da Delegação Francesa da Médicos do Mundo.

 

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Apoio da Médicos do Mundo aos imigrantes no campo de Calais
Crédito foto: ©Olivier Papegnie

 

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Campo de acolhimento dos imigrantes em Calais
Crédito foto: ©Olivier Papegnie

 

 

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publicado às 11:06


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