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Gaza: A resposta da Médicos do Mundo à emergência

por Médicos do Mundo, em 31.07.14

As equipas humanitárias não têm acesso seguro à faixa de Gaza. Até 30 de Julho, após 23 dias desde o início da ofensiva israelita, o balanço é de 1263 palestinianos mortos e 6233 feridos.

 

A situação da população agrava-se a cada dia. As operações israelitas intensificam-se e a ajuda humanitária urgente diminuiu consideravelmente. No dia 23 de Julho diversos carregamentos de produtos médicos, enviados pela Médicos do Mundo e destinados aos centros de saúde com ruptura de stock, puderam ser entregues após vários dias de bloqueio na fronteira de Kerem Shalom.

 

Nos 11 centros de saúde que a Médicos do Mundo (MdM) apoia, 9 encontram-se em funcionamento e os habitantes de Gaza continuam a chegar para obter cuidados de saúde primários. No quadro do programa “preparação para emergências”, colocado em prática pela MdM, os cuidadores destes centros são também treinados para assumir o controlo e, se necessário, encaminhar os feridos.

 

Estes centros vivem uma situação sanitária dramática: encontram-se expostos aos bombardeamentos, fazem frente a uma ruptura de stock de certos medicamentos essenciais e a cortes de electricidade que duram mais de 20h por dia. O bombardeamento da única central eléctrica de Gaza veio agravar esta realidade, afectando não apenas a vida quotidiana dos habitantes mas também o sistema de saúde (funcionamento dos equipamentos) e de saneamento (saneamento e abastecimento de água). A violência do conflito faz surgir igualmente a falta de apoio psicossocial e ao nível da saúde mental, sobretudo junto das crianças. A Médicos do Mundo está actualmente a analisar as necessidades.


A MdM esforça-se por manter as suas actividades. As equipas baseadas em Jerusalém e na faixa de Gaza trabalham em estreita colaboração para encontrar soluções duráveis para os habitantes. São 3 médicos e 11 funcionários que partilham o quotidiano dos palestinianos, para além de uma equipa de coordenação de 6 pessoas que os apoiam.


Neste momento, um segundo comboio com produtos médicos está em preparação e as equipas médicas prontas para se deslocarem mas o encerramento dos pontos de entrada arriscam, mais uma vez, ao atraso da chegada da ajuda de emergência a Gaza.


As equipas da MdM preparam a resposta à emergência com o objectivo de levar uma ajuda crucial e indispensável às populações civis.

 

Foto tirada por um membro da equipa da MdM
durante um bombardeamento a Gaza.
Crédito foto: ©MdM

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publicado às 14:51

Com o aumento das operações militares israelitas, a ajuda humanitária urgente não consegue chegar a Gaza. A entrega de vários carregamentos de produtos médicos por parte da Médicos do Mundo (MdM), destinados aos centros de saúde com ruptura de stock, encontra-se bloqueada.

 

Recorde-se que a MdM encontra-se no terreno, através das suas delegações de França, Espanha e Suíça.

 

Domingo, 20 de Julho, foi um dos dias mais mortíferos desde o lançamento da Operação “Barreira de Protecção”, com a morte de 60 palestinianos, incluindo 14 mulheres e 17 crianças. Os civis constituem a maioria das baixas até ao momento. O número de feridos tem vindo a aumentar rapidamente com a ofensiva terrestre de Israel, resultando numa crescente necessidade de medicamentos e de produtos médicos de emergência.

 

As equipas médicas e humanitárias não conseguem deslocar-se e a entrega de produtos de primeira necessidade encontra-se interrompida. Com o bloqueio da passagem de mercadorias no posto fronteiriço de Kerem Shalom durante todo o Domingo, as equipas da MdM não conseguiram fornecer vários centros de saúde com produtos médicos. A Médicos do Mundo apela à abertura imediata e incondicional dos postos fronteiriços para a passagem de ajuda humanitária a Gaza.

 

Além disso, o Hospital Al Aqsa Der el Balah, apoiado pela Médicos do Mundo, foi seriamente danificado pelos bombardeamentos na Segunda-feira, destruindo completamente o bloco operatório. Quatro pessoas perderam a vida e muitos mais ficaram feridos.

 

A Médicos do Mundo pede um cessar-fogo imediato e lembra que todas as partes envolvidas no conflito devem respeitar as regras do direito internacional humanitário com vista à protecção das populações civis. Condenamos também o facto de os hospitais serem alvo neste conflito, o que dificulta ainda mais o acesso dos feridos aos cuidados de saúde.

 

“Faltam medicamentos de base necessários às urgências”
Testemunho do Dr. Hasam, médico de urgência em Gaza

 

Sou médico de urgência e trabalho com a Médicos do Mundo em Gaza no contexto do conflito actualmente em curso. Trabalho no serviço de urgência do Hospital Nasser, situado no Sul de Gaza.


Hoje quero falar-vos da situação desastrosa causada pela guerra que dura há duas semanas.


No Hospital Nasser, principalmente no serviço de urgência, recebemos cerca de 75 pessoas todos os dias. Entre estes, 20 a 30 mortos da mesma família, sendo que, infelizmente, a maioria são crianças atingidas pelos disparos de rockets ou pelos bombardeamentos. Entre 10 a 20 feridos graves e 20 a 40 ligeiros.


A maioria dos casos apresenta complicações devido aos disparos de rockets que resultam em traumatismos cranianos, torácicos e abdominais. O segundo tipo de ferimentos mais comuns são os traumatismos dos membros e lesões vasculares que requerem a presença de cirurgiões plásticos e vasculares. Um apoio médico que é escasso em Gaza e que nos faz muita falta.


Metade dos feridos tem necessidade de ser admitido no bloco operatório ou nos serviços especializados do hospital, os quais que já se encontram repletos de doentes e de vítimas.


Como sabem, o prolongado cerco a Gaza tem consequências no acesso a cuidados de saúde no território. Faltam consumíveis e medicamentos de base necessários às urgências devido ao cerco.


Temos realmente, realmente, necessidade de uma reacção ou de uma intervenção por parte da comunidade internacional para ajudar as pessoas que vivem em Gaza.

 

Crédito foto: ©AFP

 

 

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publicado às 16:22


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