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As equipas das Delegações de França e Espanha da Médicos do Mundo continuam a desenvolver um intenso trabalho de apoio às populações nepalesas atingidas pelo terramoto de 25 de Abril. A equipa francesa já chegou junto das populações mais isoladas do Distrito de Sindhupalchok, enquanto dois especialistas espanhóis realizam intervenções nas áreas da traumatologia e cirurgia plástica em Katmandu.

 

A Delegação de França da Médicos do Mundo está a montar clínicas no Distrito de Sindhupalchok para prestar cuidados às populações mais isoladas em locais onde o sistema de saúde se encontra num estado de total colapso. Cerca de 90% dos centros de saúde do país - muitos neste distrito a leste de Katmandu – foram destruídos, deixando muitas pessoas sem cuidados médicos.

 

Uma equipa de 50 pessoas encontra-se a norte de Sindhupalchok para responder às necessidades da população, já incluindo psicólogos e profissionais médicos e cirúrgicos. A Solidarités International (SI) e a Fondation EDF estão a disponibilizar apoio aos responsáveis pela logística, equipamento e fornecimento de água, tão essenciais à ajuda médica.

 

O abastecimento através das estradas danificadas pelo terramoto a altitudes de mais de 3000 metros constitui um enorme desafio logístico. No entanto as equipas da Médicos do Mundo conseguiram estabelecer a primeira infra-estrutura médica perto da aldeia de Gloche, disponibilizando cuidados primários de saúde a cerca de 4000 pessoas na região. Infra-estruturas idênticas vão ser estabelecidas noutros locais do Distrito de Sindhupalchok para responder às necessidades do maior número possível de habitantes.

 

Segundo Joel Weiler, Director de Emergências da Delegação de França da Médicos do Mundo, “mitigar os efeitos do terramoto no sistema de saúde, através do uso de infra-estruturas móveis deverá levar entre três a seis meses. Mas restaurar o acesso a longo prazo a cuidados de saúde requer reconstruir não só os hospitais e centros médicos mas também voltar a colocar em funcionamento o sistema nacional de saúde. Em cada fase a Médicos do Mundo manterá o seu compromisso com a população nepalesa.”

 

 

Intervenções cirúrgicas complexas

 

Dois especialistas da Delegação de Espanha da Médicos do Mundo estão a realizar intervenções cirúrgicas, integrados na equipa do Centro Nacional de Traumatologia de Katmandu.

 

Muitos dos feridos foram estabilizados nas urgências mas não podiam ser operados devido ao colapso do sistema de saúde após o terramoto. Existem também casos de doentes que foram operados mas que sofreram posteriormente complicações, como infecções ou necroses, e necessitam de uma segunda intervenção cirúrgica que combine a traumatologia com a cirurgia plástica.

 

A comunidade médica nepalesa já alertou para o facto de muitas pessoas afectadas pelo terramoto poderem vir a enfrentar deficiências para o resto da vida se não forem tratadas a tempo, especialmente aquelas com lesões na médula espinal e pernas.

 

O Centro Nacional de Traumatologia tornou-se num dos centros mais relevantes no campo da cirurgia e traumatologia em todo o país após o terramoto. As equipas médicas nepalesas trabalham em conjunto com profissionais de outros países, entre os quais dois espanhóis especializados em cirurgia e traumatologia. O seu objectivo é disponibilizar cuidados adequados e monitorizar o tratamento do maior número possível de pessoas.

 

Em cerca de quatro dias, Javier Fernandez-Palacios e Felipe Noya, especialistas em traumotologia e cirurgia plástica da Delegação de Espanha da Médicos do Mundo, já participaram em mais de 20 intervenções cirúrgicas complexas. “Este é o tipo de cirurgia que habitualmente realizo quando trabalho em situações similares, casos muito raros de encontrar na nossa actividade diária em Espanha”, explica Javier Fernandez-Palacio.

 

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Distrito de Sindhupalchok
Crédito foto: ©Quentin Top

 

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Aldeia de Gloche
Crédito foto: ©Medecins du Monde

 

Veja aqui a galeria de fotos na nossa página Facebook.

 

Participe na acção nacional de angariação de fundos que a Delegação Portuguesa da Médicos do Mundo está a promover.

Faça o seu donativo através do NIB 0035 0551 00007722130 32.  

Contamos com todos nesta missão. 

 

publicado às 13:42

A Rede Internacional da Médicos do Mundo (MdM) vai enviar para o Nepal uma equipa médica de emergência e mais de 20 toneladas de equipamento para ajudar a população, após o terramoto de 7.9 na escala de Richter que atingiu aquele país no último sábado.

 

O terramoto que atingiu o Nepal no passado sábado é o mais devastador em mais de um século. O epicentro foi apenas a 70 km da capital Katmandu com 2,5 milhões de habitantes. Muitos edifícios e locais históricos desabaram e as comunicações registam grandes dificuldades.

 

Segundo Gilbert Potter, Director de Operações Internacionais da Delegação Francesa da Médicos do Mundo, “a informação que recebemos confirma um elevado grau de destruição. As próximas horas são cruciais, os hospitais estão sobrelotados, temos de agir rapidamente”. Após o terramoto, que provocou mais de 3500 mortos contabilizados até ao momento, réplicas violentas têm sido sentidas não só no Nepal, como nos países vizinhos, Índia, Bangladesh e Tibete.

 

A equipas da Delegação Francesa da Médicos do Mundo presentes no Nepal, nomeadamente em Katmandu e Chautara, com um programa de saúde materno-infantil, foram mobilizadas para ajudar os nepaleses. A MdM, em parceria com a Solidarités International, vai enviar ainda uma equipa de emergência constituída por 12 pessoas, entre cirurgiões, anestesistas, enfermeiros e responsáveis logísticos.

 

Para o Nepal seguirão também mais de 20 toneladas de equipamento, como kits cirúrgicos e kits para desastres naturais, para atender às necessidades da população.

 

 

3 Questões respondidas por Gilbert Potier, Director de Operações Internacionais da Delegação Francesa da MdM

 

Que equipas a Médicos do Mundo dispõe no Nepal?

 

Antes do terramoto a Médicos do Mundo já tinha no Nepal uma equipa a 45 km de distância de Katmandu. 40 pessoas estavam a trabalhar num programa de saúde materno-infantil. As nossas equipas não dispõem de treino para responder a um desastre tão grande, pelo que enviamos imediatamente uma equipa de emergência constituída por cirurgiões, anestesistas e enfermeiros. Também seguiram coordenadores logísticos porque enviámos uma elevada quantidade de material (kits de emergência, equipamento cirúrgico, etc).

 

 

A situação no terreno vai atrasar a deslocação da ajuda humanitária?

 

Necessitamos de enfrentar as dificuldades logísticas. Assim como as estradas continuam fechadas, as réplicas do terramoto não permitem a aterragem de aviões no aeroporto de Katmandu. No primeiro dia contabilizámos pelo menos uma réplica a cada 20 minutos. No entanto, todos sabem que somos mais necessários nas primeiras 72 horas após um desastre. É durante este tempo que não podemos trabalhar de forma mais eficaz relativamente a traumas, fracturas e ferimentos sofridos pelas pessoas que ficaram presas nos escombros. O desafio agora será a organização da assistência. Iremos chegar todos ao mesmo tempo, pelo que temos de estar organizados. Temos de dar crédito à solidariedade dos nepaleses que já estão a trabalhar muito bem. A população e os trabalhadores humanitários têm estado a trabalhar sem descanso há 48 horas.

 

 

Os feridos estão a ser tratados?

 

Por agora, as operações tiveram início mas existe uma enorme escassez de material para realizar cirurgias fundamentais. É por isso que estamos a enviar mais de 20 toneladas de material. Este material vai permitir o tratamento cirúrgico de cerca de 2000 pessoas e o tratamento básico a outras 20 mil. Duas clínicas móveis vão estar disponíveis para tratar o maior número de pessoas. Uma vez que os hospitais estão sobrelotados, iremos também tentar tratar doenças que eram já comuns antes do desastre: gastroenterites, infecções respiratórias, febres, etc.

 

 

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Crédito foto: ©Reuters

 

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Crédito foto: ©Reuters

 

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 Crédito foto: ©Reuters  

 

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 Crédito foto: ©Reuters  

 

 

publicado às 16:13


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